Dalila Teles Veras participará do XIII Congresso de História do ABC


Criado em 12/08/2015

Evento, que acontecerá em setembro em Ribeirão Pires, trará palestras e grupos de discussão com foco na história, identidade e diversidade das sete cidades da região

A participação da mulher no desenvolvimento da região, migração e integração entre as cidades da região do ABC Paulista estarão contempladas nas discussões do 13º Congresso de História do Grande ABC.  "História, Diversidade e Identidade: O que nos Une?" será o tema dessa edição, que será realizada entre os dias 23 e 26 de setembro em Ribeirão Pires. Dalila Teles Veras estará na mesa de abertura do evento.

Natural do Funchal, Ilha da Madeira, Portugal (1946), Dalila emigrou com a família para o Brasil (São Paulo, Capital) em 1957. Reside em Santo André, desde 1972, onde desenvolve intenso ativismo e animação cultural desde o início dos anos 80, com o Grupo Livrespaço de Poesia, do qual foi cofundadora e através da Livraria, Editora e Espaço Cultural Alpharrabio, da qual é diretora proprietária desde 1992. Publicou mais de duas dezenas de livros, nos gêneros poesia, crônica, ensaio e diário literário.  Participou de inúmeras antologias e possui trabalhos publicados em jornais e revistas do país e do exterior. Em 2004 a Câmara Municipal de Santo André outorgou-lhe o título de Cidadã Honorária.

Entrevista

Você participará da mesa de abertura em que será abordada a história do Congresso. O que esse tema representa hoje?

Os Congressos de História do Grande ABC e as tarefas da poesia, título que dei para minha fala na abertura atendendo ao honroso convite que me foi feito, reflete não só o envolvimento que mantenho com os Congressos desde o início, quer seja como integrante do Grupo Independente dos Pesquisadores da Memória (GIPEM), quer seja como simples cidadã à busca do conhecimento de sua própria história. Este é um envolvimento que eu qualificaria como amoroso, pois foi através da participação que aprofundei o conhecimento sobre a história local, sobre a minha própria cidade, interesse renovado a cada nova edição. Eu pesquisava a história da literatura no ABC, e continuo a me interessar pelo tema, sobre o qual apresentei uma comunicação no Primeiro Congresso, em 1990 e que, ampliada, foi publicada na Revista Raízes, da Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul. Como minha expressão literária é essencialmente poética, a militância e a pesquisa também representam uma tarefa, uma tarefa da poesia.

Você é poeta e escritora com larga produção e participação em eventos nacionais e internacionais. Como a poesia será abordada em sua palestra?

Eu diria que não há limites para as tarefas da poesia. Na minha fala do dia 23 de setembro, elencarei algumas dessas tarefas e a responsabilidade nelas implícitas.

Como diretora da Alpharrabio Livraria e Editora, em Santo André, como você avalia o hábito da leitura e o acesso aos livros no Brasil?

Seria o caso falarmos do não hábito da leitura, pois esta é, lamentavelmente, nossa realidade. Vivemos um paradoxo, ou seja, o fato de possuirmos uma das mais pujantes indústrias do livro do mundo, os números impressionam e atiçam a cobiça de editores estrangeiros que nos últimos tempos investem pesadamente no Brasil, e ao mesmo tempo convivermos com assustadoras estatísticas que nos dizem que, sete em cada 10 brasileiros não possui o hábito da leitura e, dentre outras não menos aterradoras revelações, 38% dos nossos universitários são analfabetos funcionais. O governo investe fábulas (e aqui não se trata de metáfora) na compra de livros para distribuição a professores e estudantes de todo o país, mas o número de leitores cai a cada pesquisa. Portanto, vê-se aqui, que a compra de livros não está atrelada à leitura e muito menos ao acesso, mas contribui certamente com o aumento e manutenção dos lucros das grandes editoras beneficiadas. Temos um excelente Plano Nacional do Livro e da Leitura, Planos Estaduais e Municipais estão se instalando, mas, por mais meritórios e que mereçam apoio e aplauso, o problema da leitura segue crônico. No meu modesto modo de entender, só à Educação caberia a solução, ou seja, a tarefa de formar leitores, mas isso está longe de ocorrer, como nos dizem as pesquisas do livro e da leitura. Quanto à Livraria Alpharrabio, não há propriamente uma preocupação em "formar leitores", pois há tempos perdi essa ilusão, mas sim contribuir para capacitar aqueles que já são leitores, através do debate permanente de ideias e discussão crítica de livros e de literatura. Foi a parte que coube e assumimos neste sombrio latifúndio.

Você participa do Congresso de História desde a sua primeira edição. A longevidade do evento chama a atenção, sobretudo porque estamos habituados à descontinuidade de políticas culturais. Mas, no caso do Congresso, ele se tornou uma exceção. Com 25 anos, o que faz o evento ser tão duradouro?

É possível que a região do Grande ABC não tenha se dado conta de que foi e é palco de iniciativas de vanguarda de caráter social, intelectual, político e artístico, projetadas em nível nacional e que a própria história dos 25 anos deste Congresso é uma delas. Não tenho notícias de que houve ou haja no Brasil algo semelhante ao Congresso de História do Grande ABC, considerando-se algumas de suas mais notáveis características, como a de reunir e dar voz tanto a historiadores e pesquisadores de formação acadêmica quanto a memorialistas, artistas e pesquisadores espontâneos, como é o meu caso. Falarei disto na minha palestra e de como, neste caso específico, graças à pressão popular, a descontinuidade e muitas vezes a ausência de políticas públicas, não impediu a sua continuidade.

Qual a sua expectativa para o 13º Congresso de História em Ribeirão Pires?

Sempre formulamos expectativas a cada novo Congresso e uma delas é justamente a sua continuidade. Assim, uma dessas expectativas seria a de que este Congresso pudesse garantir o compromisso de continuidade, com a realização do 14º em Rio Grande da Serra, fechando, dessa forma, um segundo ciclo, ou seja, a realização do Congresso por duas vezes em cada uma das sete cidades. Espero que a partir já deste 13º essa perspectiva se estabeleça e que a ideia de reinventar o próprio Congresso, após estes dois ciclos comece a ser formulada. Proporia, inclusive, que a própria história do Congresso comece a ser levantada desde já e que o mesmo seja objeto temático do Congresso que daria início do terceiro ciclo, retomado o que foi discutido e proposto e não cumprido. E isso, convenhamos, não é pouco.

Serviço

13º Congresso de História do Grande ABC

Data: 23 a 26 de setembro

Local: Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP/Uniesp)

Av. Cel. Oliveira Lima, 3.345, Parque Aliança (Ribeirão Pires/SP)

Informações: 11 4822-4724