Ribeirão participa do inicio da obra para ligar os sistemas Rio Grande e Alto Tietê


Criado em 04/05/2015

Obra vai transferir 4 m³/s de água do braço do Rio Grande, da represa Billings, para a represa Taiaçupeba em Suzano

O prefeito Saulo Benevides participou na manhã de hoje ( 4) do evento de início da principal obra para garantir o abastecimento da Grande São Paulo. A interligação entre os sistemas Rio Grande e Alto Tietê vai transferir 4.000 litros de água por segundo ao longo de 22 km. Esse bombeamento fará com que regiões que hoje recebem água do Sistema Cantareira possam ser atendidas pelo Alto Tietê, ajudando a aliviar o manancial em crise.

A Prefeitura de Ribeirão Pires entregou em abril o decreto de utilidade pública para desapropriação de duas áreas para a execução das obras de transposição da água bruta da represa Billings que serão realizadas no município. O anúncio aconteceu no gabinete do prefeito Saulo Benevides (PMDB) com a presença do superintendente da Unidade de Negócio Sul da Sabesp, Roberval Tavares de Souza.
Na área será construída a Estação Elevatória de Água Bruta. O ato administrativo por parte da municipalidade era uma etapa fundamental para que a Sabesp pudesse dar andamento no processo de desapropriação da área e, consequentemente, no início das obras. São duas áreas que foram desapropriadas e a execução do presente decreto correrão por conta de verba própria da Sabesp.

“Estamos fazendo a nossa parte como município para colaborar nesta época de crise hídrica”, disse o prefeito Saulo Benevides e completa: “O Governo do Estado tem sido muito solícito quanto às nossas reivindicações. Na semana passada o Edson Aparecido (Secretário Estadual da Casa Civil), me informou que R$ 14 milhões serão liberados para Ribeirão Pires. Esse recurso inclui emendas parlamentares, verba para construção do hospital e repasse do FUMEFI. Hoje voltei a cobrar o Governador sobre a liberação desses recursos e ele garantiu que Ribeirão Pires receberá tudo o que está reservado para 2015 e que essa liberação acontecerá nos próximos dias”.

O investimento da Sabesp é de aproximadamente R$ 130 milhões. Inclui a instalação de bombas para transportar a água 80 metros acima, superando o morro que divide a região do ABC (onde fica o Sistema Rio Grande) de Suzano (no Alto Tietê). Conta também com duas adutoras paralelas, cada uma com diâmetro de 1.200 milímetros. Elas vão levar a água por quase 11 km até o córrego Taiaçupeba-Mirim. Por esse curso d'água o volume avançará mais 11 km, chegando até a represa Taiaçupeba, onde fica a estação de tratamento de água do Sistema Alto Tietê. A previsão é que a obra esteja concluída no final de agosto.

Para que a água seja transferida de uma represa para a outra ao longo desses 22 km, a Sabesp vai instalar 16 geradores, sendo que parte deles ficará como reserva de segurança. Cada gerador tem potência de 1.000 kVA, o que equivale a 1.000 cavalos. É potência maior do que a de um carro de Fórmula 1.

"Nós estamos iniciando hoje uma obra importantíssima para segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo, para o enfrentamento do período seco. A interligação entre os sistemas é o que se faz no mundo inteiro para garantir o abastecimento de água à população", explicou o governador Alckmin durante o evento.

A interligação é a obra mais importante que a Sabesp está executando em 2015. O Sistema Rio Grande chegou a mais de 97% de armazenamento de água no final de março. Para aproveitar esse estoque, a Sabesp vai bombear 4.000 litros por segundo para o Sistema Alto Tietê. Essa medida é essencial para garantir o abastecimento da população no período de estiagem, que vai até o fim de setembro. O Alto Tietê tem grande capacidade de tratamento – 15 mil litros por segundo –, mas suas represas estão com nível mais baixo. Com o bombeamento, a Sabesp levará a matéria-prima (água disponível na represa Rio Grande) até o local onde há maquinário para o tratamento (Sistema Alto Tietê).

Além dessa obra, outras duas são importantes para levar mais água para o Alto Tietê. Uma delas já foi entregue e está em operação desde 27 de janeiro: é a ampliação da transferência de água do córrego Guaratuba para a represa Ponte Nova, que compõe o Sistema Alto Tietê. O investimento, feito em pouco mais de dois meses pela Sabesp, fez com que o volume transferido subisse de 500 litros por segundo para 1.000 l/s. O Guaratuba nasce na serra do Mar e deságua em Bertioga, no litoral. Parte de sua vazão é bombeada em direção ao Alto Tietê.

A importância dessa obra é aumentar a quantidade de água que entra no Sistema Alto Tietê neste período de poucas chuvas. O sistema é composto por cinco represas (Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba-Mirim, Jundiaí e Taiaçupeba). Elas são alimentadas pela chuva direta sobre elas e pelos rios que as abastecem. Portanto, a entrada de mais água do Guaratuba amplia o nível de todo o sistema.

Outra intervenção com o mesmo objetivo a nova captação do rio Guaió. A Sabesp está construindo 9 km de adutoras para ligar o Guaió à represa Taiaçupeba. Orçada em R$ 28,9 milhões, a obra começou em fevereiro e irá até maio. A tubulação levará 1.000 litros de água por segundo para o ribeirão dos Moraes, afluente do rio Taiaçupeba-Mirim que, por sua vez, deságua na represa Taiaçupeba. A obra está sendo implantada no município de Suzano, na divisa com Ferraz de Vasconcelos, com mão-de-obra própria da Sabesp. O Guaió nasce na cidade de Mauá, no ABC, e passa por Ribeirão Pires, Suzano, Ferraz de Vasconcelos e Poá.

A importância do Sistema Rio Grande

O Sistema Rio Grande ganhou importância ao longo de 2014 diante da crise hídrica. Mesmo com a seca, esse reservatório registrou boa quantidade de chuva. A adoção do bônus na conta também fez com que o fornecimento para o ABC diminuísse, já que o consumo caiu. Com a água excedente, a Sabesp executou ainda em 2014 obras para que o sistema passasse a chegar até Santo André.

 

Associado a isso, a companhia aumentou a produção de água potável no Rio Grande. No final do ano passado, a capacidade subiu de 5.000 para 5.500 litros de água potável por segundo. A Sabesp instalou na respectiva estação de tratamento equipamentos de ponta, chamados de membranas ultrafiltrantes. Essa combinação de fatores permitiu que, neste ano, o Sistema Rio Grande passasse a abastecer a capital pela primeira vez desde que foi criado, em 1958.